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Papa destaca males causados pelas inimizades

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Na missa celebrada nesta segunda-feira, Francisco explicou que a dor é cristã, mas o ressentimento não

Papa durante Missa na Casa Santa Marta / Foto: Rádio Vaticano

O Papa Francisco iniciou a semana celebrando a missa na capela da Casa Santa Marta nesta segunda-feira, 13.

O Papa ofereceu a celebração por padre Adolfo Nicolás, prepósito-geral da Companhia de Jesus de 2008 a 2016, que na quarta-feira retorna ao Oriente para o seu trabalho. “Que o Senhor retribua todo o bem feito e o acompanhe na nova missão. Obrigado, padre Nicolás”. disse Francisco.

A primeira Leitura, extraída do Livro do Gênesis, que fala de Caim e Abel, esteve no centro da homilia de Francisco.

O Papa explicou que pela primeira vez na Bíblia se diz a palavra irmão. É a história de uma fraternidade que devia crescer, ser bela e acaba destruída. Uma história que começa com um pouco de ciúme: Caim fica irritado porque o seu sacrifício não é apreciado por Deus e começa a cultivar aquele sentimento dentro de si. Poderia controlá-lo, mas não o faz.

“E Caim preferiu o instinto, preferiu cozinhar dentro de si este sentimento, aumentá-lo, deixá-lo crescer. Este pecado que cometerá depois, que está oculto atrás do sentimento. E cresce. Cresce. Assim crescem as inimizades entre nós: começam com um pequena coisa, um ciúme, uma inveja e depois cresce e nós vemos a vida somente daquele ponto e aquele cisco se torna para nós uma trave, mas a trave nós que temos, está lá. E a nossa vida gira em volta daquilo e destrói o elo de fraternidade, destrói a fraternidade”.

Francisco destacou que aos poucos a pessoa fica obcecada por aquele mal, que cresce sempre mais, e que assim cresce também a inimizade, de maneira que o outro já não é visto mais como um irmão, mas como um inimigo. Assim se destroem as pessoas, famílias, povos e tudo!

“Aquele corroer o fígado, sempre obcecado com aquilo. Isso aconteceu com Caim, e no final acabou com o irmão. Não: não há irmão. Somente eu. Não há fraternidade. Somente eu. Isso que aconteceu no início acontece a todos nós, a possibilidade; mas este processo deve ser detido imediatamente, no início, na primeira amargura, detido. A amargura não é cristã. A dor sim, a amargura não. O ressentimento não é cristão. A dor sim, o ressentimento não. Quantas inimizades, quantas rupturas”.

Inimizades

Alguns novos párocos concelebraram com o Papa. Francisco chamou atenção também para a inimizade entre os padres, nos presbitérios, nos colégios episcopais.

“Quantas rupturas começam assim! ‘Mas por que deram a sede a ele e não a mim? E por que isso?’ E … pequenas coisinhas… rupturas… Destrói-se a fraternidade”.

O Papa recorda o trecho em que Deus pergunta “Abel, onde está teu irmão?” e destaca que a resposta de Caim é irônica: “Não sei: Acaso sou o guarda do meu irmão?”, e então Deus responde: “Sim, és tu o guarda do teu irmão.”

O Papa afirmou que cada um de nós pode dizer que jamais matou alguém, mas que se tivermos um sentimento ruim por um irmão, o matamos, se o insultamos, o matamos em nosso coração.

“E quantos poderosos da Terra podem dizer isto: ‘Tenho interesse por este território, tenho interesse por aquele pedaço de terra, por aquele outro, se a bomba cair e matar 200 crianças não é culpa minha, é culpa da bomba. Tenho interesse naquele território…’. E tudo começa com aquele sentimento que o leva a se distanciar, a dizer ao outro: ‘Este é fulano, ele é assim, mas não irmão’, e acaba na guerra que mata. Mas você matou no início. Este é o processo do sangue, e o sangue hoje de tantas pessoas no mundo clama a Deus da terra. Mas está tudo ligado, eh? Aquele sangue lá tem uma relação, talvez uma pequena gota de sangue, que com a minha inveja, o meu ciúme fiz derramar, quando destrói uma fraternidade”.

Para concluir, o Papa pediu que o Senhor nos ajude a pensar naqueles que destruímos com a língua e a todos os que no mundo são tratados como coisas e não como irmãos.

Fonte: noticias.cancaonova.com